“Sempre tive minhas prioridades, e quem não as tem? Mas nunca deixei que nenhuma delas fosse maior ou mais importante que o amor. Ainda que este amor seja superficial quanto o meu amor ao meu espelho. Ou sutil como meu amor ao próximo. Ou fatal como meu amor ao meu amante. Ou incondicional como meu amor a minha família. Qualquer forma de amor é válida.”
Qualquer pessoa esnobaria esse pensamento, contestaria, criticaria, se levar em consideração a minha idade ao escrevê-lo. Mas eu me considerava suficientemente madura para falar de amor.
Que prepotência não?! Não! Prepotência tem os adultos que se consideram os únicos capazes de amar verdadeiramente e racionalmente. Será que se esquecem que amor e razão não se entendem?
Já ouvi muito adulto se referir ao amor na adolescência dizendo: “Isso passa!”, “um dia você vai ver que isso foi só uma ilusão!”, “E você sabe o que amor?” e outras frases que os convencessem de que não entendem nada de amor.
E quando esse sentimento “passava”, “esfriava” ou “adormecia” nenhum adulto perdia a chance de falar: “Está vendo que eu disse que não era amor!” e blablabla...
Sei que sou adulta. Mas esse era um medo que me assombrava. Sempre tive medo de me tornar uma adulta como esses, que se esquecem que já foram adolescentes. É claro que vive ilusões, e desilusões, mas faz parte do amor, e tudo o que senti, ou pensei sentir, me ajudaram a amadurecer.
Na verdade, eu sinto falta de amar como uma adolescente, ou pelo menos, de me importar tanto com o amor.
Eu acredito que os adolescentes amem bem mais, com mais intensidade e mais verdadeiramente que qualquer adulto. Os adolescentes amam primeiramente o amor, ainda que o seu amado mude de rosto. Sabem dar ao amor, o devido valor que ele merece, como se nada mais importasse. E será que importa?
Um adolescente quando ama, ama em tempo integral. Não pede ao amor um tempo para estudar, para trabalhar, comer ou dormir. Amar é o sentido de cada ato.
Já os adultos...
Eles amam o trabalho, amam comer, e amam dormir. Apesar de odiar tudo o que fazem. Aí vai entender se é amor ou ódio...
E ai daquele adulto que ouse amar intensamente. Esses são logo julgados e condenados, e não faltará quem diga que parece um adolescente ou mesmo que perdeu o juízo.
Talvez se mais adultos resolvessem amar como os adolescentes amam, intensamente, amar o amor, e não o bônus que o amor pode lhe ofertar, talvez houvesse mais compreensão e menos cobranças, e mais pessoas felizes e correspondidas.
Não aconselho a viver um sonho eterno, mas fazer do sonho uma perfeita realidade.
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