sábado, 24 de setembro de 2011

Não correspondência

Tem gente que nunca sabe direito o que é, ou significa para a gente.
E a vida vai nos fazendo cada vez mais solitários.
Seja por nos importarmos demais. Seja pelo acúmulo da não correspondência daqueles que nos importa. 
Essa gente que nos importa e que nunca perceberam ou aceitaram na exata medida. Ou que preocupadas em excesso com problemas corriqueiros, nunca deram atenção ao afeto que por elas ou para elas, existe em nós.
E que foi se esgotando por descaso ou desuso, já que essa gente nunca soube receber.
Às vezes, a gente é essa gente.
E nem percebe o sentimento que nos é devotado.
Ai é o outro que fica com o gesto de amor solto no ar, a espera de aceitação, entendimento e correspondência.
Em ambos os casos, doem!
Mas essa já é uma outra história...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Era uma vez um amor platônico

Sabe quando você conhece alguém, e seu coração sente que esse alguém tem algo a mais?Não estou falando de paixão à primeira vista. Não. Estou falando de um friozinho na barriga que vem e passa logo. Ai nem damos importancia, achamos que é mais um na multidão. Mas ai de repente, em algum momento da sua vida, você descobre que seu coração estava certo. Que aquele alguém tem algo mais, e esse algo mais é exatamente o que você quer!Pois bem! Isso aconteceu comigo!
Faz algum tempo que conheci um certo alguém. E no momento que nossos olhares se cruzaram eu desviei, tamanho impacto ele teve sobre mim. E teimoso do jeito que meu coração é, sempre que podia, fazia meu corpo estremecer quando o avistava.
Eu comecei a viver meu primeiro "amor" platônico. Platônico porque jamais confessaria esse amor. Jamais teria chances de me aproximar dele. Porque jamais seria correspondido. Jamais seria consumado.
E sempre que o via, tentava dizer ao meu coração que ele não era correspondido, que aquele olhar não era nada daquilo que ele pensava. Nossa! Como meu coração me condenava, achava a maior burrice todas as chances que desperdiçava de me aproximar. Culpava-me por todas as vezes que reagi indiferente à presença dele. Meu coração me dizia que eu estava errada.
E eu estava errada! Certo dia, me aproximei de uma forma tão desajeitada, conversei coisas sem nexo, sorri como uma boba, deixando transparecer em cada gesto, palavra e sorriso que eu era perdidamente "apaixonada" por ele.
Sabe o que aconteceu? Ele reagiu com um sorriso de todo tamanho. O resultado dessa conversa foi um dos mais lindos momentos que já vivi com alguém! Um encontro nada romântico, mas simplesmente perfeito. Tão perfeito que tive certeza que nunca mais se repetiria.
E eu ficava pensando, "Meu Deus, porque isso aconteceu? Porque isso agora e não antes? Porque é assim?" E meu coração me fez parar, porque não adianta indagações, ou até indginações. E apesar de toda minha resistência, não me condeno. Talvez se tivesse atendido ao primeiro impulso do meu coração, não teria sido tão perfeito. Prefiro acreditar, que aconteceu no momento certo.
Posso dizer que vivi com ele, uma linda história. Com ele estive a vontade para ser espontânea e verdadeira, sem limitações ao meu coração. E mesmo sem saber se agir assim, era bom ou ruim, me fez bem. Eu não tive oportunidade de conhecê-lo bem, mas ao seu lado em me sentia em casa. Na verdade, se tivesse que responder algo sobre ele, responderia tudo errado. E apesar disso, me sentia bem ao seu lado, assim como ele ao meu. Tudo foi novo para mim! E a verdade, é que ambos fomos surpreendidos por um sentimento que apenas nossos corações aceitavam. 
Ele sempre me transmitiu uma segurança tão grande com relação a ele mesmo, que me fazia esquecer do quanto deveria ter medo, e eu me entregava! Sem planos, projetos para o futuro, ou perguntas descabidas do que éramos um para o outro. Só interessava viver o momento, e senti-lo já me bastava. Me envolver com ele não fazia parte dos meus planos. E já falávamos em saudades! Pior, sentimos saudades. Esperávamos ansiosos pela oportunidade de ficarmos juntos. Bom! Para que fazer planos? Aproveitar todas as oportunidades que podíamos para estar juntos, era toda a preocupação que precisava ter. E já que nossos momentos eram tão maravilhosos, tanto para mim quanto para ele, só me bastava pedir que fossem melhores.
Nossos momentos eram tão maravilhosos, que pareciam ser únicos sempre. Sempre que nos víamos, parecia ser a primeira vez que nos encontrávamos. E nos comportávamos como se nunca fôssemos nos ver outra vez. Porque erámos dois desconhecidos atraídos por nossos corações. 

Se durou? Durou o tempo necessário para se eternizar como perfeito!  


O amor adolescente

“Sempre tive minhas prioridades, e quem não as tem? Mas nunca deixei que nenhuma delas fosse maior ou mais importante que o amor. Ainda que este amor seja superficial quanto o meu amor ao meu espelho. Ou sutil como meu amor ao próximo. Ou fatal como meu amor ao meu amante. Ou incondicional como meu amor a minha família. Qualquer forma de amor é válida.”
Qualquer pessoa esnobaria esse pensamento, contestaria, criticaria, se levar em consideração a minha idade ao escrevê-lo. Mas eu me considerava suficientemente madura para falar de amor.
Que prepotência não?! Não! Prepotência tem os adultos que se consideram os únicos capazes de amar verdadeiramente e racionalmente. Será que se esquecem que amor e razão não se entendem?
Já ouvi muito adulto se referir ao amor na adolescência dizendo: “Isso passa!”, “um dia você vai ver que isso foi só uma ilusão!”, “E você sabe o que amor?” e outras frases que os convencessem de que não entendem nada de amor.
E quando esse sentimento “passava”, “esfriava” ou “adormecia” nenhum adulto perdia a chance de falar: “Está vendo que eu disse que não era amor!” e blablabla...
Sei que sou adulta. Mas esse era um medo que me assombrava. Sempre tive medo de me tornar uma adulta como esses, que se esquecem que já foram adolescentes. É claro que vive ilusões, e desilusões, mas faz parte do amor, e tudo o que senti, ou pensei sentir, me ajudaram a amadurecer.
Na verdade, eu sinto falta de amar como uma adolescente, ou pelo menos, de me importar tanto com o amor.
Eu acredito que os adolescentes amem bem mais, com mais intensidade e mais verdadeiramente que qualquer adulto. Os adolescentes amam primeiramente o amor, ainda que o seu amado mude de rosto. Sabem dar ao amor, o devido valor que ele merece, como se nada mais importasse. E será que importa?
Um adolescente quando ama, ama em tempo integral. Não pede ao amor um tempo para estudar, para trabalhar, comer ou dormir. Amar é o sentido de cada ato.
Já os adultos...
Eles amam o trabalho, amam comer, e amam dormir. Apesar de odiar tudo o que fazem. Aí vai entender se é amor ou ódio...
E ai daquele adulto que ouse amar intensamente. Esses são logo julgados e condenados, e não faltará quem diga que parece um adolescente ou mesmo que perdeu o juízo.
Talvez se mais adultos resolvessem amar como os adolescentes amam, intensamente, amar o amor, e não o bônus que o amor pode lhe ofertar, talvez houvesse mais compreensão e menos cobranças, e mais pessoas felizes e correspondidas.
Não aconselho a viver um sonho eterno, mas fazer do sonho uma perfeita realidade.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eu escolho viver o momento.

Sempre estamos sujeitos a mudanças e nada é eterno. Então porque ter medo de que tudo não passe de um momento?
Não acredito muito no futuro, eu aposto no presente, e me importo muito com o passado.
Não tem essa de que o que passou, passou e ponto final. Somos o resultado de escolhas de toda uma vida, reflexo de nossas atitudes e só seremos capazes de evoluir se nos basearmos nos nossos erros e acertos, antes de seguir em frente.
Quanto ao futuro, o considero um amigo incerto, que a qualquer momento pode nos faltar. Então como poderemos viver em função de algo que esperamos que aconteça, se nada além das nossas escolhas presentes, nos dá certeza que irá acontecer? Depositar expectativas no futuro é abdicar do presente, que está em nossas mãos. Não espere que o futuro acontecer, seja a peça mais importante dos acontecimentos.
Se realmente nos importa onde estaremos amanhã, comecemos a caminhar nessa direção hoje.
Eu sempre quis ser conseqüente, mas o meu jeito impulsivo e intempestivo nunca me permitiu. O bom é que entre minhas escolhas erradas, sempre obtive o resultado certo, porque eu vivo o momento, e dele eu não perco nenhum segundo.
Quer minha opinião?
Não pense no que irá fazer, pense no que está fazendo. Não deixe de fazer o que quer, mas aprenda com seus erros. Entre viver um momento que pode ser passageiro e esperar por um sonho de uma vida inteira, eu prefiro ficar com o momento. Porque se estou caminhando para este sonho, eu vou chegar até ele. Só não preciso ignorar os momentos que a vida me permite. Seria como viajar e dormir para chegar logo ao destino. Mas porque a pressa, se durante o percurso existe uma bela paisagem para admirar?!
Experimente! Aconteça! Não somos peças de xadrez, somos as mentes pensantes, capazes de por as peças onde desejamos, ainda que na vida haja variáveis.

Nada de expectativas!

Penso que erramos quando criamos expectativas demais com relação ao outro. Criar expectativas é transferir ao outro a responsabilidade de nos fazer feliz. Quando na verdade, a nossa felicidade só pode estar dentro de nós. Lembro-me de quantas vezes ganhei presentes super, e fiz cara feia porque tinha idealizado um outro presente qualquer. Ou quantas vezes disse não a um sorvete, porque esperei ser convidada para um cineminha. Ou quantas vezes perdi a companhia de pessoas incríveis, a espera de alguém que nunca chegou.
Sabe o que aconteceu todas essas vezes? Eu perdi. E provavelmente, fiz com que pessoas incríveis perdessem também. Tudo isso, porque esperei que o outro advinhasse meus sonhos e expectativas. Esperei pela atitude do outro para ser feliz. Quando eu poderia não esperar nada, e curtir os presentes que ganhei, porque presente não se escolhe. Deveria ter aceitado o sorvete, porque o que mais valia era a companhia. E sem dúvida, poderia ter conhecido e curtido pessoas incríveis. 
Ter expectativas é ruim demais! Mas como pedir ao coração para não sonhar, não esperar, não querer? Como pedir ao coração para ser sereno? Não sei! Mas aprendi a sempre que sonhar, sonhar com aquilo que depende de mim para ser real. Sonhar cada detalhe das minhas ações. E contar sempre com as externalidades. É importante saber que o outro é uma variável, que pode te fazer despertar dos teus sonhos bruscamente. E também, saber que não temos o controle sobre as ações dos outros, portanto não podemos esperar que o outro entre nos nossos corações e descubram o que nos fará felizes.
Eu ainda sonho sonhos que podem nunca acontecer. Mas aprendi a lidar com a enorme possibilidade deles não acontecerem. E quando esses sonhos são muito importantes para mim, trato de torná-los reais. 
Agora, eu já não escolho os presentes que vou ganhar, eu ganho e fico feliz por ser lembrada. E quando quero um cineminha, convido para um cineminha, mas se me convidarem para um sorvete, eu aceito. E será que eu aprendi a não esperar por alguém? Não! Eu ainda espero, e procuro, e olho para todos os lados, esperando que um certo alguém chegue. Mas aprendi a não perder companhias incríveis por isso. Vai que eu encontro um alguém mais interessante que o certo alguém que tanto espero e não chega. Eu não posso arriscar.
Certa vez, escutei do certo alguém por quem esperei um noite quase toda "cheguei tarde", e eu respondi "vê se não se atrasa na próxima vez". E continue curtindo a companhia do outro alguém que encontrei, como se não houvesse mais ninguém ao nosso redor. E foi maravilhoso!
Quando criamos expectativas, deixamos de viver o melhor dos momentos, a espera de um momento que pode não acontecer. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Meu Coração

O meu coração anda tão inquieto que sentir não basta para ele. Ele quer vida própria! Já não lhe basta ter vontade própria, ele quer mais. Sentir, escolher, sorrir, chorar, falar, brigar, amar por si só. Meu coração tem agido de forma tão independente que parece me pedir licença para viver a minha vida, como se ela pertencesse apenas a ele. Mas o meu coração não tem maturidade para agir de tal forma, ele ainda é uma criança. E apesar de ter esse coração tão vivo, latente e impulsivo, eu sou adulta, e como tal, devo agir com a maturidade que minha idade impõe.
Assim, vou vivendo um embate diário entre meu coração e minha cabeça, entre minha emoção e minha razão! E devo confessar, a minha cabeça quase sempre se sobrepõe ao meu coração, que relutante é obrigado a conter seu impulso de tomar as rédeas da minha vida. A minha cabeça não me deixa seguir viagem quando a vontade do meu coração é pegar a primeira condução com destino à felicidade. 
Mas quer saber? O meu coração merece ser ouvido, ainda que aquilo que ele esteja pedindo não seja o melhor a ser feito. Porque ele nem sempre está certo. Como a criança que ainda é (e tenho a impressão que sempre haverá de ser) ele nem sempre sabe o que é certo ou errado, e ainda não aprendeu a calcular as consequências dos seus atos. Mas o meu coração sabe melhor que qualquer outra parte do meu ser, o que o impulssiona e o que o acalma. Sabe o que me faz feliz! 
E já quem nem sempre lhe dou razão, estou lhe dando voz.